segunda-feira, 11 de abril de 2011

CIDO SPADA NÃO É DIFERENTE DO PT

Muitos petistas honestos de Sarandi tem comemorado a saída de Cido Spada, como a tábua de salvação do PT como um partido de luta e que representaria os interesses da classe trabalhadora. Mas, a saída de Spada representa somente apenas mais um episódio da crise política desse partido que, nacionalmente, aplica e aprofunda contra os trabalhadores a mesma política do PSDB e outros governos burgueses.

Para se ter uma idéia o governo Dilma cortou do orçamento federal 50 bilhões de reais o que, todos sabem, significará piora dos serviços públicos e cortes em áreas fundamentais para a população, como saúde, educação e moradia.

Por outro lado, esse mesmo governo eleito com o apoio da classe trabalhadora aumentou os salários dos Deputados, Presidente e Ministros em 62%, enquanto o salário mínimo aumentou R$ 35,00 - no mesmo momento em que a inflação come o salário dos trabalhadores antes do final de cada mês.

O PT é um partido nacional e Sarandi não é uma ilha.

O PSTU teve uma polêmica importante com o PT na luta contra a vinda do lixo e pela reestatização do sistema de lixo e contra a cobrança ilegal e abusivas de taxas que não tem servido a melhorar a vida da população trabalhadora de nossa cidade.

Explicávamos para a população que o grande problema do IPTU e do lixo é o fato de que o prefeito De Paula (PDT - que é um partido da base aliada do PT) não governa para os trabalhadores e a juventude, mas para garantir os interesses privados dos donos das empresas de lixo, da saúde, que são os mesmos que financiam suas campanhas.

O problema é que no PT quem manda são os deputados, os prefeitos, governadores e a presidente: os filiados e os simpatizantes não tem qualquer poder de interferir na política desse partido que foi construído décadas atrás pelos trabalhadores.

O exemplo de Cido Spada é simbólico: não adianta sair do PT para resolver o problema da privatização do lixo e a série de problemas que ela tem causado à população trabalhadora da cidade, o problema é que o PT, pela forma como se organiza, não tem condições de ter independência política, afinal, quem financia esse partido não é mais a classe trabalhadora, mas os donos da Pajoan, da TCCC, das empreiteiras do PAC e outras empresas privadas da vida.

Aos trabalhadores a perspectiva de construir uma alternativa de luta e socialista.

Avanilson Araújo
Direção Estadual - PSTU-PR

sexta-feira, 8 de abril de 2011

URGENTE: SEPE CONVOCA PARALIZAÇÃO EXTRAORDINÁRIA DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DO RIO, CONTRA A FALTA DE SEGURANÇA

O Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais em Educação do Rio de Janeiro) convoca as escolas municipais do Rio para uma paralisação extraordinária de 24 horas neste dia 8, sexta-feira, com ato público na Cinelândia, às 10h. O objetivo desta paralisação é demonstrar a indignação dos profissionais de educação contra mais esse ato de violência em nossas escolas, representada por essa tragédia ocorrida hoje, na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, com a morte, até agora, de 11 alunos, vítimas de um atirador.

O Sepe convoca as demais redes públicas e particulares de educação a se juntar ao ato na Cinelândia. O sindicato acredita que mais investimentos nas escolas públicas podem diminuir os riscos de repetição deste triste fato. Há uma carência na rede de milhares de profissionais especializados na segurança dos alunos, como porteiros e inspetores nas escolas públicas. Os governos não fazem concursos para cobrir esta carência.

A falta de segurança nas escolas municipais e estaduais do Rio vem sendo denunciada pelo Sepe há anos mas, infelizmente, os governos se recusam a discutir com a categoria o assunto. Dessa forma, o Sepe exige que o prefeito Paes e o governador, os respectivos secretários de educação do estado e município do Rio, e as autoridades de segurança de nosso estado discutam com os profissionais de educação como enfrentar esse grave problema.

Ainda há pouco, o prefeito Paes, em uma comprovação do que falamos, afirmou em entrevista coletiva que “escolas continuarão abertas”, sem especificar qualquer política de segurança.

Nos últimos anos, o Sepe já esteve algumas vezes no Ministério Público e na Câmara de Vereadores para denunciar o aumento da violência nas escolas públicas do Rio de Janeiro. O número de casos de violência dentro e no entorno das escolas tem aumentado de ano para ano: agressões a professores, brigas de alunos, balas perdidas resultantes de operações policiais ou confronto de quadrilhas de traficantes; todas estas ocorrências tem provocado ferimentos e até mortes de alunos e o sindicato tem denunciado às autoridades, mas, até o momento, nossas denúncias tem caído no vazio e as ocorrências continuam acontecendo.

Por conta deste fato, o Departamento Jurídico do Sepe está estudando entrar na Justiça contra as autoridades municipais (responsáveis pela rede municipal) e estaduais (responsáveis pela segurança pública) responsabilizando-as criminalmente pela lamentável tragédia ocorrida hoje pela manha na EM Tasso da Silveira.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

POLÊMICA: O QUE É ISSO, COMPANHEIRA LUCIANA GENRO?

Ex-deputada pelo PSOL, Luciana abre cursinho popular com dinheiro de empresas em Porto Alegre
PSTU-RS

Muitos militantes honestos da esquerda brasileira foram surpreendidos com denúncias oriundas da mídia burguesa acusando Luciana Genro de usar dinheiro de empresas para montar um curso de pré-vestibular em Porto Alegre. A revista Veja e outros meios de comunicação, vinculados aos grandes empresários brasileiros e à direita, aproveitaram o episódio para desmoralizar Luciana Genro – e, junto a isso, a própria esquerda brasileira que não se vendeu.

Reivindicamos a trajetória política de Luciana Genro. No entanto, somos críticos aos caminhos que a mesma vem percorrendo desde 2006 – quando aceitou dinheiro da Gerdau na campanha eleitoral –, em choque com as expectativas de milhares de trabalhadores vinculados à esquerda. Esse grave erro foi repetido nas campanhas de 2008 e 2010, quando a ex-deputada recebeu dinheiro da rede Zaffari e de outras empresas, as quais financiam seu projeto Emancipa.

Alertamos várias vezes que a degeneração do PT e do PCdoB vem, diretamente, da aceitação de dinheiro dos empresários, da mesma forma que a sobrevivência dessas organizações deve-se ao dinheiro do parlamento. Esse é um caminho que poderá levar à adaptação política do PSOL e à defesa de políticas contra os trabalhadores. Gerações de militantes foram perdidas por caminho semelhante, escolhido pelas direções do PT e do PCdoB.

Neste sentido, somos totalmente contrários a essa iniciativa de Luciana Genro de montar um projeto educacional em parceria com grandes empresas, ao mesmo tempo em que dizemos que a mídia burguesa não tem a mínima moral para atacá-la, pois defende e enaltece esse tipo de projetos.

Fazemos um chamado à companheira Luciana para que rompa com esse grave erro político: aceitar dinheiro dos inimigos dos trabalhadores, e mantenha-se coerente com sua história política, sob pena de jogá-la na lata de lixo, fazendo a alegria dos poderosos e desmoralizando os setores de Oposição de Esquerda ao governo Dilma e Tarso.

Defendemos que Luciana Genro volte a dar aulas, como uma professora normal, da mesma forma que milhões de docentes fazem diariamente. O PSTU defende que o salário dos parlamentares seja o mesmo do seu trabalho antes da eleição. Pois, na hipótese de perder o mandato, possa voltar a viver tranquila e dignamente como todos de sua classe. Também defendemos que o partido deve ser sustentado pelo dinheiro arrecadado da contribuição de filiados, militantes e amigos, sem qualquer dependência do Estado ou dos patrões.

Cursinho vai contra a educação pública e gratuita
A formação do cursinho, nas condições em que está sendo montado, é um grande passo no sentido de romper com o passado de esquerda de Luciana Genro. Um cursinho que objetiva arrecadar um milhão de reais de empresas parceiras do projeto nos faz lembrar as parcerias de institutos como a fundação Bradesco, Unibanco/Itaú – que lucram bilhões, explorando o povo com os maiores juros bancários –, do projeto Ayrton Senna que impõe suas cartilhas, da fundação Mauricio Sirotsky Sobrinho que determina como e o que fazer nas escolas, e outras tantas, as quais, dentro das escolas estaduais, buscam torná-las empresas e ocupam o lugar que deveria ser do Estado e da comunidade escolar.

Todos sabem das dificuldades de milhares de jovens para entrar na universidade, mas não vale qualquer política para resolver este grave problema social. É preciso exigir o fim do vestibular, garantir mais verbas para as universidades públicas e a necessária ampliação das vagas, para que os filhos dos trabalhadores tenham acesso ao curso superior. O cursinho, nesta forma, vai contra esta luta histórica.

Na verdade, a formação deste pré-vestibular – além de um problema político grave – também afronta tudo o que os educadores engajados, que militam no movimento social, no CPERS em particular, sempre defenderam: o ensino público, gratuito e de qualidade. Como a própria Luciana reconhece, em entrevistas, o que ela está fazendo é parecido com uma ONG ou uma OSCIP.

Até pouco tempo, era um patrimônio de toda a esquerda, que deveríamos impedir as OSCIPS aqui no Estado. Também juntos – nós, o PSOL e os movimentos sociais não-governistas – denunciamos quando Lula aprovou, no Congresso, e sancionou a lei das Parcerias Público Privadas (PPPs), por entender que são parte da política geral do Estado Mínimo, do neoliberalismo, do beneficiamento particular do que deveria ser público. Mas, agora, o cursinho – que Luciana montou e gerencia – segue a mesma lógica das parcerias entre os patrões e o Estado: presta um serviço à população, visando lucro e benefício pessoal.

Companheira Luciana Genro, estas iniciativas não condizem com as bandeiras socialistas que deverias representar!

Porto Alegre, 22 de março de 2011

Direção Estadual do PSTU – RS

segunda-feira, 28 de março de 2011

MANIFESTANTES DE SARANDI (PR) ENTREGAM PROJETO DE LEI CONTRA DESPEJO DE LIXO

SARANDI DÁ EXEMPLO E MOSTRA QUE LUTAR VALE A PENA
Paulo Vidigal, de Sarandi (PR) 


Na tarde dessa segunda-feira, o Comitê de Lutas de Sarandi, no Paraná, composto por associações de bairro, grêmios estudantis, ANEL e alguns partidos políticos, incluindo o PSTU, promoveu uma grande manifestação na cidade. Após um ato público em frente à prefeitura, foi protocolado um documento assinado por mais de três mil eleitores exigindo que o prefeito Carlos de Paula (PDT) crie uma lei municipal que proíba que o lixo de outras cidades seja enviado para Sarandi.

A manifestação seguiu em caminhada até a câmara de vereadores. Durante o trajeto, a passeata tomava corpo com o apoio da população que se somava aos manifestantes. Na Câmara, o comitê protocolou um projeto de lei de iniciativa popular, com as assinaturas, que exige a proibição do despejo do lixo de outras cidades. Os populares que lotavam a câmara comemoraram.

No final da tarde, o advogado do PSTU Avanilson Araújo, integrante do Comitê de Lutas e presidente do PSTU de Maringá, prestou uma queixa na delegacia de polícia por ter sofrido ameaças do proprietário da empresa de tratamento de lixo, situada naquela cidade e que recebe lixo de fora de Sarandi.

O Comitê de Lutas promoveu um movimento vitorioso, pois conseguiu mobilizar a sociedade para a criação do projeto de iniciativa popular que obrigatoriamente deve ser votado pelos vereadores. Ou seja, o eleitor de Sarandi demonstra sua vontade.

Parabéns ao Comitê e todos os sarandienses que entenderam que não há outra forma de impedir os desmandos senão através da mobilização e da luta.

sexta-feira, 11 de março de 2011

ESTUDO DESMISTIFICA O "PIBÃO" DE LULA

Para economista, média de crescimento do governo Lula foi medíocre, tanto do ponto de vista histórico como em comparação com o restante dos países

Ministro da Fazenda Guido Mantega
durante coletiva de imprensa
A divulgação do resultado do PIB de 2010 pelo IBGE desencadeou uma série de avaliações ufanistas sobre o governo Lula. O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma do valor de todas as riquezas produzidas pelo país no período. O crescimento de 7,5%, embora já fosse previsto, foi comemorado por grande parte da imprensa, que cunhou o termo “pibão”, em referência ao “pibinho” de anos anteriores. ”Já atingimos um PIB de R$ 3,6 trilhões, o que nos coloca em sétimo lugar, superando a França e o Reino Unido”, comemorou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Já o atual governo Dilma não perdeu tempo e utilizou o índice como pretexto para pisar no freio dos gastos e reforçar o anúncio do maior corte orçamentário da história. Os representantes do sistema financeiro, por sua vez, relembraram seu “alerta” contra a inflação. O Banco Central, muito sensível aos temores dos banqueiros, elevaram os juros para estancar a inflação.

Mas será mesmo que o Brasil finalmente encontrou o caminho do crescimento, como afirmam o governo e a grande imprensa? Não é o que mostra estudo do economista da UFRJ, Reinaldo Gonçalves, sobre a evolução da renda no governo Lula. Primeiro, o economista colocou o crescimento econômico nos oito anos de governo Lula em perspectiva histórica. Depois, comparou com o restante do mundo. Os resultados desmistificam toda a propaganda alardeada nos últimos anos.

Crescimento pequeno
A conclusão que o economista chega não deixa de ser perturbadora. Segundo os dados tabulados pelo pesquisador, o Brasil cresceu muito pouco nos últimos anos em relação a praticamente todo o século XX, e muito menos que a média do planeta. Além disso, o país reduziu sua participação no PIB mundial, assim como em relação ao PIB per capita em relação aos outros países.

Nos oito anos de governo Lula, o país cresceu em média 4% ao ano. Índice menor que a média verificada em todo o período republicano. De 1890 a 2010 o país cresceu a uma média de 4,5%. O economista destaca o fato de, entre todos os 29 presidentes que o país já teve, Lula ocupar apenas a 19ª melhor posição em relação ao desempenho econômico, estando atrás de Itamar Franco, que contou com 5% de crescimento médio anual em seu governo.

Fato é que, se o Brasil cresceu entre 2003 e 2010, o resto do mundo cresceu mais, uma taxa anual média de 4,4%, 0,4% a mais que nós. Em relação ao crescimento do PIB nesses anos, o país ocupa apenas o 96ª lugar de 181 países. A renda per capita (toda a renda produzida dividida pelo nº de habitantes) também cresceu, de US$ 7.457 para US$ 10.894, mas também não tanto como em outro países. Tanto que o Brasil passou de 66º lugar em relação a esse índice para 71º lugar nos últimos oito anos. Ou seja, perdemos cinco colocações em relação à renda per capita durante os anos de governo Lula.

O peso da economia do país em relação à mundial, por sua vez, permaneceu estagnado em 2,92% no decorrer dos oito anos de Lula. Ao longo do tempo, porém, fomos perdendo posições. Para se ter uma ideia, em 1980 nossa economia contribuía com 3,91% do PIB mundial.

Economia vulnerável
Um outro aspecto no estudo do economista é a crise que atingiu o país em cheio ao final de 2008, contendo o período de crescimento e fazendo com que o Brasil diminuísse 0,6% em 2009. Tal fato teria ocorrido, segundo Gonçalves, devido à vulnerabilidade da economia. “O Brasil é um país marcado por forte vulnerabilidade externa estrutural”, vaticina, citando o grande peso adquirido pelas commodities nos últimos anos. ”No período 2003-10 houve reprimarização da economia brasileira, inclusive com significativo aumento do peso relativo das commodities nas exportações brasileiras”. O autor vê ainda indícios de um processo de desindustrialização do país.

O considerável aumento da exportação de produtos primários pelo Brasil, como minérios e produtos agropecuários, incentivado pelo governo Lula, foi parte responsável pelo crescimento do PIB, mas também contribuiu para aprofundar a nossa dependência. 

O que explicaria então o “salto” dado pelo país em 2010? Para Reinaldo Gonçalves, além do fato de 2009 ter ajudado, já que a base de comparação era muito baixa, o “pibão” teria sido efeito de uma política econômica oportunista, encomendada para vencer as eleições. “Oportunismo político e ajuste macroeconômico convergem perfeitamente na ótica do grupo dirigente”, diz. Isso teria se dado com uma expansão violenta do crédito, aumento do consumo, tudo impulsionado pelo aumento dos gastos do governo. O câmbio valorizado, por sua vez, favoreceria as importações, cujo aumento ajudaria a controlar a inflação.

O economista reitera, porém, que tal política expansionista não é sustentável segundo os próprios critérios do governo. Isso porque ela desembocaria numa crise fiscal e na piora das contas externas. E foi justamente por isso que o governo Dilma pisou no freio e anunciou o corte nos gastos, assim como o aumento nos juros. Para os próximos dois anos o FMI projeta crescimento de apenas 4% ao ano, também inferior à média das últimas décadas. Ou seja, após afrouxar um pouco os gastos para vencer as eleições, o governo volta ao normal. 

Longe de representar uma mudança estrutural no Brasil, a política econômica do governo Lula seguiu a dos governos anteriores. Agora, vê-se que, sem maquiagens, seus resultados foram tão medíocres quanto.