sexta-feira, 9 de setembro de 2011

MAIS UM ATAQUE ÀS ORGANIZAÇÕES DO MOVIMENTO OPERÁRIO

Campanhas Eleitorais:
Militante voluntário x Cabos Eleitorais pagos

Bruno Alves e Américo Gomes[1]

Nos anos de 1980, quando se derrubou a ditadura e houve a redemocratização do Brasil, era comum nas campanhas eleitorais, atividades politicas espontâneas, milhares de ativistas realizavam campanha nas ruas por seus candidatos.

A Constituição de 1988, refletindo esta realidade garantiu a liberdade de expressão e a livre manifestação política em apoio aos partidos políticos que tinham realmente um conteúdo ideológico.

Em 1997 a LEI N 9.504 em seu artigo 81 visou impedir o “abuso de poder”. Surgida após os escândalos de corrupção do governo Collor e de seu auxiliar PC Farias, que envolvia sobras de campanha.

Nela foi regulamentada a doação de empresas as campanhas eleitorais. Podendo as empresas doarem 2% de seu lucro.

O que de fato ninguém se atentou é que tal lei regulamentou o direito de doação aos ricos e restringiu as doações dos trabalhadores.

Nesta lei cada eleitor está limitado a doar para uma campanha 10% do que tenha recebido no ano anterior.

Ou seja, quem ganha mais pode doar mais, quem recebe menos pode doar menos. As empreiteiras e as empresas de prestação de serviço que ganham milhões em seus contratos com o estado, legalmente podem doar 2% de seus milhões.

Já operários metalúrgicos e da construção civil, as empregadas domesticas, os auxiliadores de escritório podem doar, no máximo, 10% de seus parcos salários

Hoje agora que voltam ao Senado Federal, José Sarney, Fernando Collor de Mello e Renan Calheiros. Em que o Congresso Nacional conta com personalidades como Paulo Maluf e, depois de absolvida, Jaqueline Roriz a legislação caminha cada vez mais no sentido de privilegiar os donos dos grandes capitais e sufocar a livre manifestação política dos setores mais explorados da sociedade.

A Lei da Ficha Limpa, que reuniu mais de 2 milhões de assinaturas, entrou para o folclore nacional, quando sua validade foi derrubada em março deste ano, para as eleições 2010, por 6 votos a 5 no Supremo Tribunal Federal. Liberando os senadores João Capiberibe e Jader Barbalho.

E atualmente prática e a lógica imposta pelo TSE, é pela legalização de uma campanha eleitoral totalmente mercantil.

Mantém as polpudas doações empresariais e pune o trabalho voluntário e militante.

Caso uma empresa use 2% de seu lucro para financiar uma campanha e este seja gasto na contratação de cabos eleitorais, está tudo certo, tudo regulamentado, com recibo eleitoral e tudo. E se no dia da eleição o candidato contrata os chamados “fiscais e suplentes” (o que na prática é um disfarce para a compra de voto) também tudo bem.

Um marqueteiro que recebe, em uma campanha eleitoral, mais que um senador em todo seu mandato, pode, sem problema nenhum.

Nesta “democracia” empresas podem dar carona de jatinhos aos políticos, podem financiar suas campanhas, e receberem benefícios depois que seus financiados são eleitos. Como um retorno aos investimentos feitos.

A OAB está entrando corretamente com uma ação de inconstitucionalidade contra está lei, que permite a doação por parte de empresas. Nós apoiamos esta iniciativa. Mas é necessário ir mais além.

Militantes políticos de uma causa social e por ideais políticos estão sendo impedidos de doar sua militância, acima de 10% de sua arrecadação financeira no ano anterior, mesmo que isso seja permitido por lei e por resoluções do TSE.

Os candidatos da classe trabalhadora não podem produzir seus vídeos de televisão em garagens em suas casas e editá-los em casa com a ajuda de amigos.

Cabe ressaltar que formalmente não esta campanha voluntaria não seria nenhum ilícito, mas na prática estão sendo condenadas.

Hoje em dia, em meio a tantas campanhas mercantis, onde impera a lei “do levar vantagem em tudo” soa estranho a Justiça Eleitoral uma campanha voluntária, e por isso se pretende criminaliza-la.

Emprestar a casa para um candidato, com parcos recursos, para que lê possa dormir ou um carro velhos para uma panfletagem, como nos bons tempos na década de 80, nem pensar.

Menos ainda se você quiser fazer uma simples panfletagem na entrada de uma fábrica ou em uma praça de seu candidato. Tudo será contabilizados economicamente pela justiça eleitoral.

E pior, pode ser criminalizado e multado.

Por que ainda que o Art. 16 da Resolução 23.217/2010 do TSE determine que as doações por trabalho militante, não financeiras, não sejam contabilizadas entre os 10% das , e sejam somente controladas e contabilizadas pela referencia “Doação Estimável em Dinheiro”, o Ministério Publico e a Justiça Eleitoral resolveram desencadear um verdadeiro ataque contra a militância voluntária.

Quebraram o sigilo fiscal dos doadores militantes das campanhas eleitorais e estão processando vários dirigentes e militantes em todo Brasil.

São processados inclusive estudantes, que por não terem renda são considerados na prática impedidos de “doar” para a campanha, ou seja, somente é possível “doar” quem tem renda, em um retorno ao final do século XIX e ao voto censitário.

Militantes históricos, que tenham feito qualquer atividade voluntária nas campanhas estão sendo processados. E o partido acusado de “Abuso do poder econômico”

Desde os que panfletaram, diagramaram panfletos, advogaram, emprestaram os seus carros, nenhuma militância voluntária fica impune diante da cega injustiça.

Enfim enquanto aos candidatos ligados ao grandes empresários e empreiteiras tudo é permitido, aos trabalhadores excedem-se os rigores e distorções da lei.

O PSTU não aceita financiamento de campanha por parte de empresas e de grande empresários.

Todos os militantes fazem campanha voluntariamente, sem entrar nos esquema de cabos eleitorais, marqueteiros, e a lógica mercantil da campanha.

Chega a ser ridículo acusar o PSTU de cometer “abuso de poder econômico”. Este pobre partido que somente recebe doações de trabalhadores.

Sendo a sua uma das campanhas eleitorais que menos gastou nas últimas eleições.

Mas infelizmente este ataque vai além do patético. Representa uma ameaça real a militância voluntaria. Caso as multas venham a ser aplicadas significa que militantes que recebem salário mínimo podem ser condenados a pagar multas de mais de vinte e cinco mil reais.

Isto significa criminalizar a militância voluntária e ataca a legalidade do PSTU. Torna ilegal toda a campanha baseada nas forças dos próprios trabalhadores. Mantendo na legalidade as campanhas que se baseiam no financiamento de empreiteiras e bancos, que compram votos com cabos eleitorais e vendem influencias nos governos de turno.

A conquista da democracia foi um passo fundamental na história do Brasil. Mas está democracia ainda não atende aos interesses dos trabalhadores. É uma democracia que somente beneficia os ricos.

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[1] Advogados do Instituo José Luis e Rosa Sunderman

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

PMs condenados em morte de jovem do Santa Felicidade

Maringá

Policiais são condenados a seis anos de prisão por homicídio

Dois policiais de Maringá assassinaram em 2004 um jovem de 21 anos que havia cometido um assalto. O júri popular demorou cerca de 16 horas. Os réus podem cumprir a pena em semiaberto
25/08/2011 | 08:11 | atualizado em 25/08/2011 às 09:34 | Fábio Guillen
    O júri popular dos dois policiais militares de Maringá acusados do homicídio de um jovem de 21 anos, em 2004, no Conjunto Santa Felicidade, terminou por volta das 23h50 de quarta-feira (24). Willian Motta e Hélio Reis foram condenados a seis anos de prisão a serem cumpridos em regime semiaberto. Depois de aproximadamente 16 horas de júri, por quatro votos a três, eles foram condenados por homicídio simples.
    “Maringá não tem colônia penal para que eles cumpram a pena em semiaberto. Nesse caso, cabe agora ao juiz decidir como executar a pena aos dois. É uma vitória importante pela grande dificuldade que se tem de levar casos como estes até o final”, disse o advogado da família da vítima, Avanilson Alves Araújo.
    Rodrigo Aparecido Sales Rodrigues, 21 anos, foi morto após ter cometido um assalto. Os policiais alegaram que houve troca de tiros e que agiram em legítima defesa. No entanto, o Ministério Público (MP) defende que o jovem estaria desarmado, sendo baleado embaixo de uma cama, sem chance de reagir.
    Além de serem acusados pelo homicídio, os dois PMs também foram acusados de fraude processual, por terem colocado uma arma de fogo ao lado do corpo para simular reação.
    Os policiais ainda podem recorrer da sentença. O advogado dos réus informou à Gazeta Maringá que recorrerá da decisão. "Queremos que os dois sejam absolvidos pela justiça. Os dois continuarão trabalhando normalmente por se tratar de uma sentença não definitiva", disse o advogado Israel Battista de Mourão.

    quinta-feira, 11 de agosto de 2011

    Ministério do Turismo: mais um caso de corrupção no governo Dilma

    Ministério do Turismo: mais um caso de corrupção no governo Dilma
    Em novo escândalo, 35 pessoas ligadas ao Ministério do Turismo são presas. PSTU defende prisão e o confisco de todos os bens de corruptos e corruptores


    • Nesta terça, 9 de agosto, a Polícia Federal, na chamada “Operação Voucher”, prendeu 35 pessoas ligadas ao Ministério do Turismo. As acusações são de desvio de dinheiro público em convênio do próprio Ministério com o Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável), em 2009. Este convênio contou com verbas que chegam ao valor de R$ 4,4 milhões.

    Até agora foram presos o Secretário-Executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa (número dois na hierarquia do Ministério), o ex-Presidente da Embratur, Mário Moisés, o Secretário Nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, além de diretores e funcionários do Ibrasi e empresários.

    O atual ministro do Turismo é Pedro Novais (PMDB), indicado pelo PMDB, do Presidente do Senado, José Sarney, e do vice-presidente da República, Michel Temer. Sarney saiu em defesa de Novais, apresentando-o como "homem de reputação ilibada", mas fez questão de dizer que não "conhece" nenhum dos secretários presos. Entre os presos existem ainda políticos ligados ao próprio PT, como Mário Moisés, ex-assessor direto da senadora Marta Suplicy (PT) quando ela foi ministra da área, no governo Lula.
    O líder do PT na Câmara, Cândido Vacarezza, condenou o "abuso de Poder do Judiciário e do Ministério Público" nas prisões.

    O episódio ocorre no momento em que o país prepara-se para receber a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, com milhares de turistas. O Ministério responsável por parte importante das ações dos Jogos está mergulhado na corrupção. Somado com o sigilo das obras, as denúncias indicam que a Copa do Mundo poderá vir a ser conhecida como o grande espetáculo da corrupção.

    ESPLANADA
    Com mais este escândalo, chega a seis o número de Ministérios envolvidos em corrupção: Transporte, Agricultura, Cidades, Desenvolvimento Agrário, Minas e Energia e, agora, Turismo. Todos estes casos acontecidos em apenas sete meses de governo Dilma.

    No Ministério dos Transportes, é apontado um suposto esquema de propinas que beneficiava o Partido da República (PR), da base do governo. Este escândalo já derrubou o próprio ministro e atual senador Alfredo Nascimento (PR) e cerca de 20 funcionários do Ministério.

    No Ministério da Agricultura, são denúncias de “cabide de emprego”na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de políticos ligados ao PMDB e desvio de dinheiro público que podem chegar a R$ 13 milhões.

    No Ministério das Cidades, as denúncias apontam que o ministro Mário Negromonte (PP) favorecia empreiteiras que contribuíam com as campanhas eleitorais de seu partido. O Ministério liberou obras irregulares proibidas pelo próprio Tribunal de Contas da União.

    No Ministério de Minas e Energia, também indicado pelo PMDB, as denúncias atingem a Agência Nacional do Petróleo (ANP), dirigida pelo ex-deputado Haroldo Lima (PCdoB). Gravações mostram assessores ligados a ANP cobrando propinas de clientes que chegam à monta de R$ 40 mil reais, para "liberação" de processos e pedidos. Segundo a denúncia, este dinheiro seria desviado para o PCdoB.

    No Ministério do Desenvolvimento Agrário, as denúncias apontam para venda de lotes que deveriam ser destinados a famílias beneficiadas por programas de Reforma Agrária. Outra denúncia aponta para o desmatamento realizado por madeireiras em áreas destinadas a Reforma Agrária, no Norte do país. Estas denúncias podem atingir ainda o Ministério do Meio Ambiente.

    Somados a estes escândalos de corrupção nos seis Ministérios, ainda aconteceu a demissão do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci (PT), acusado de enriquecimento, usando sua posição no Governo.

    No Ministério da Defesa, ainda que a troca de Nelson Jobim por Celso Amorim não tenha sido motivada por escândalos, o setor terá de lidar com as denúncias envolvendo a cúpula militar, investigada por mau uso de recursos e favorecimento de empresas em obras como a do aeroporto de Natal.


    CORRUPÇÃO E CRISE
    Estes escândalos atingem vários partidos da base do governo, como PMDB, PR, PP, PCdoB e o próprio PT. Todos acontecem em um momento que a presidente Dilma pretende retomar votações impopulares no Congresso Nacional, que significam novos ataques aos trabalhadores e ao povo pobre do nosso país.

    Frente à intensificação da crise econômica, que abre a possibilidade de um novo quadro recessivo na economia mundial, Dilma vem defendendo mais cortes orçamentários e contingenciamentos nos investimentos sociais – lembrando que no início do seu Governo já foram cortados R$ 50 bilhões do Orçamento da União, atingindo principalmente áreas como saúde, educação e moradia – e o congelamento dos salários dos servidores públicos.

    Estas medidas buscam jogar mais uma vez sobre as costas dos trabalhadores o custo da crise econômica internacional.

    E, por outro lado, Dilma segue dando todo tipo de incentivos e isenções fiscais aos grandes empresários, como ficou mais uma vez evidente no lançamento semanada passada do Plano Brasil Maior, que desvia mais verbas da Previdência Social e provoca uma renúncia fiscal dos cofres do governo que pode chegar a 25 bilhões de reais.

    Além de continuar a governar privilegiando os ricos e os grandes empresários, Dilma não toma nenhuma medida concreta para impedir e combater a corrupção. A tese repetida pela imprensa, de que Dilma estaria fazendo uma "faxina" no governo, não passa de uma fantasia. Os escândalos estão se repetindo como acidentes de percursos, provocando no máximo a troca dos nomes a frente dos ministérios, sem afetar sequer a partilha dos cargos entre os partidos "aliados". A impunidade está prevalecendo, como no caso do ministro que, após denúncias, assume a vaga no Senado.

    Dilma e o PT não romperão com a estrutura montada para atender os aliados. Continuarão abrindo o cofre, com as raposas (inclusive do próprio PT e do PCdoB) tomando conta de orçamentos milionários. Agora, com a crise, Dilma precisará ainda mais dos "aliados". Para impor estas medidas impopulares, continuará cedendo ainda mais as pressões da sua base de apoio no Congresso Nacional. Ou seja, mais casos de corrupção devem estar por vir.

    Tanto é assim que, nesta quarta-feira, 10, Dilma fará um encontro de emergência com a bancada governista. Nem mesmo com denúncias em seis ministérios, o governo chegou a convocar uma reunião desse tipo. O que motivou a reunião é a crise, e as medidas de cortes e os ataques que serão feitas. Como antecipou o ministro Guido Mantega, ao avisar que não é uma boa hora para pedir aumento.

    INDIGNAÇÃO
    O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) exige do governo Dilma a demissão de todos os ministros e funcionários envolvidos em casos de corrupção. Da mesma forma, defendemos a cassação dos mandatos dos parlamentares corruptos. Mas as medidas contra a corrupção não podem parar aí. Defendemos a prisão, a devolução do dinheiro aos cofres públicos e o confisco dos bens de todos estes corruptos e corruptores.

    Queremos uma apuração total e independente de todos estes casos de corrupção que se espalharam na Esplanada dos Ministérios. Uma investigação formada a partir de entidades reconhecidas dos movimentos sociais e democráticos do nosso país.
    Não depositamos nenhuma confiança numa CPI deste Congresso Nacional, formado majoritariamente por políticos corruptos que votam sempre de acordo com interesses dos grandes empresários e contra os trabalhadores.

    Por isso, uma CPI somente composta pelos atuais deputados e senadores não vai investigar até o fim todos estes casos de corrupção. Afinal, não só os partidos da base do governo são reconhecidamente corruptos, também os partidos da chamada oposição de direita (PSDB, DEM e PPS) sempre estiveram ligados a casos de corrupção. Especialmente durante o governo do ex-presidente FHC, que manteve e aprofundou esta relação fisiológica com o Congresso Nacional e os partidos aliados, inclusive o mesmo PMDB de Sarney.

    Nosso partido apóia também a construção da Jornada Nacional de Lutas, convocada por entidades combativas dos movimentos sociais brasileiros, como a CSP Conlutas. Dentro desta jornada de lutas acontecerá uma manifestação nacional em Brasília no dia 24 de agosto, este protesto será uma grande oportunidade de não só apresentar a pauta de reivindicação destes movimentos, como também exigir do Governo Dilma medidas efetivas contra a corrupção.

    Como estão mostrando os protestos dos bombeiros em Brasília, o dinheiro que deveria melhorar os salários dos trabalhadores e as aposentadorias está indo embora, através de mecanismos de corrupção e na sangria do pagamento dos juros das dívidas aos banqueiros e da ajuda aos empresários e o agronegócio.


    São Paulo, 10 de agosto de 2011.
    Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
    www.pstu.org.br